Paciente recebendo tratamento de TOC.
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Como é realizado o tratamento de quem tem TOC? Quais as opções mais eficientes, descubra isso e mais!

Popularmente banalizado, o Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) já se faz presente em cerca de 1 a 2,5% da população mundial, revelando-se uma psicopatologia séria e com extrema necessidade de tratamento, muito embora, estes dados tendem a serem maiores, já possuímos diversos avanços da comunidade médica, em relação ao reestabelecimento da qualidade de vida do portador do transtorno.

O TOC faz parte do grupo dos transtornos ansiosos, descrito no Manual de Diagnóstico e Estatística de Transtornos Mentais (DSM 5), desenvolvido pela Associação de Psiquiatria Americana. E vem se tornando uma das principais causas de incapacitação (cerca de 41% dos pacientes, tornam-se incapacitados para o trabalho), seja na vida profissional como no convívio interpessoal do indivíduo portador de TOC.

Sabemos também, que o diagnóstico costuma ser tardio, levando cerca de 8 a 10 anos para o paciente buscar ajuda, tornando o tratamento de quem tem TOC ainda mais árduo, principalmente porque em 90% dos casos o transtorno vem normalmente acompanhado de outras psicopatologias. Esse tempo enorme é decorrente do desconhecimento ou simplesmente por vergonha e medo do tratamento, sendo assim, nesse post explicaremos como é realizado o tratamento de quem tem TOC, as principais técnicas e perspectiva de remissão, continue lendo.

O Transtorno Obsessivo Compulsivo, precisa ser tratado o quão precoce possível, pois além do próprio transtorno, algumas pesquisas brasileiras sobre o assunto relevam que 63% dos portadores de TOC também são diagnosticados com algum grau de ansiedade, 68% também desenvolveram depressão e 35% possuem algum grau de fobia social.

Segundo dados publicado pela USP (Universidade de São Paulo), paciente portadores de TOC, estão duas vezes mais propensos a pensar ou a cometer suicídio, que portadores de outras patologias.

TOC é coisa séria

Esses dados alarmantes nos coloca em pauta a importância da educação quanto à saúde mental, considerando o combate à desinformação e preconceito, permitindo uma maior facilidade no tratamento, antes que chegue a casos extremos ou avançados da patologia.

Além disso, estes dados preocupantes sobre o desenvolvimento de outras patologias e possibilidade de suicídio advém do enorme sofrimento do paciente, em função dos pensamentos obsessivos e ações compulsivas com objetivo de aliviar a ansiedade, angústia e medos.

A principal característica do transtorno é a realização de ações vista como irracionais, mas consideradas como simples manias normais, das quais tomam boa parte do tempo da pessoa.

Mulher jovem pegando na maçaneta da porta.
O TOC não é uma simples mania e costuma afetar muito a qualidade de vida da pessoa.

Interferindo diretamente na qualidade de vida e debilitando gradativamente a saúde mental, provocando um desempenho ruim no trabalho, hesitação de coisas, ações ou crenças que anteriormente eram normais ou geravam prazer para a pessoa.

No entanto, apesar do grande desafio, estamos falando de uma psicopatologia tratável, existindo técnicas extremamente efetivas e capazes de reaver o bem-estar e qualidade das relações pessoais e profissionais, vejamos então como é realizado o tratamento do Transtorno Obsessivo Compulsivo.

Quem trata TOC?

Os especialistas mais indicados para realizar o tratamento do TOC, são médicos psiquiatras e psicólogos, utilizando a abordagem cognitivo-comportamental.

Ambos os especialistas conseguem realizar o tratamento, e podem ser consultados em separado, mas o tratamento costuma ser mais efetivo quando estes profissionais trabalham em conjunto.

Como é feito o tratamento de quem tem TOC?

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é considerado uma psicopatologia crônica, isto é, o paciente portador terá que lidar com o transtorno ao longo de todo a sua vida, mantendo o acompanhamento com o médico psiquiatra e o psicólogo com a abordagem da psicoterapia.

Diante do diagnóstico de TOC, os profissionais de saúde mental, tenderão desenvolver estratégias de curto, médio e longo prazo com objetivo de amenizar, estabilizar e solucionar os principais sintomas que causem angústia e medo, reestabelecendo a qualidade de vida do paciente.

Para a realização desse processo, inicialmente o psiquiatra recomendara alguns remédios, estes de origem antidepressivos, pois estes medicamentos são inibidores seletivos de recaptação de serotonina, como efeito, inibem o surgimento de pensamentos obsessivos causadores de medo, angústia e pensamentos ruins.

Como “segundo passo” os profissionais entrarão com a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que consiste em investigar quais pensamentos e ações estão prejudicando a pessoa, com isso o profissional cria estratégias de exposição controlada ao agente causador, criando uma (prevenção da resposta) e reeducando como o paciente pensa e reage diante daquela situação.

Ilustração tratamento TOC.
O TOC pode ser tratado com medicamentos e psicoterapia.

Estás são as principais abordagens utilizadas no tratamento de quem tem TOC, no entanto, devemos dizer que estas podem ser utilizadas em separado, bem como, independe qual buscar primeiro, ambas terão sua efetividade, mas a recomendação é que utilize às duas técnicas em conjunto.

Quando a opção medicamentosa e psicoterapêutica são abordadas juntas, possui um 60% mais efetividade, claro não podemos esquecer da importância do apoio familiar.

Agora que entendemos quais as principais vertentes de tratamento para o TOC, vamos compreender como são realizados esses processos.

Tratamento de TOC com medicamentos

O tratamento do TOC utilizando medicamentos, normalmente é a primeira linha de abordagem do médico psiquiátrico, isso por que como mencionamos anteriormente, é comum  que o paciente chegue ao consultório já em estado avançado, por tanto, amenizar os sintomas quanto antes é o primeiro passo.

Os medicamentos possuem uma efetividade de 40 a 60% nos pacientes portadores do transtorno.  Além disso, é comum que o paciente com TOC, também possua algum outro tipo de transtorno, como ansiedade e depressão, tornando o medicamento à opção mais efetiva no principio.

Outra base para o uso do medicamento é quando o paciente já está em um estágio da psicopatologia, onde o mesmo se encontre com sintomas incapacitantes, impedindo seu convívio interpessoal.

Mulher segunda remédios antidepressivos na mão.
Medicamentos antidepressivos são utilizados no tratamento de TOC.

Os medicamentos utilizados comumente são os antidepressivos, após estudos na década de 70 tornou-se comprovado a efetividade deles no controle e combate do Transtorno Obsessivo Compulsivo. Devido aos seus inibidores seletivos de serotonina, regulando e erradicando os pensamentos obsessivos do transtorno.

É importante dizermos que apesar de 40 a 60% dos portadores terem uma melhora significativa nos sintomas, dificilmente apenas a medicação consegue eliminar os sintomas. Ainda sim, durante o tratamento com o medicamento é possível que aconteça recaídas.

Outro ponto importante para levarmos em consideração, é que o medicamento normalmente só tem seu efeito inicial, após a 12º semana se uso, além dos seus possíveis efeitos colaterais, devido a aplicação original do medicamento.

Neste caso, você deve estar se perguntando o que deve fazer, bom fique tranqüilo (a), quando o medicamento é associado a psicoterapia, sua efetividade sobre.

Vantagens e Desvantagens do tratamento de TOC com medicação

Assim como qualquer opção de tratamento, existem vantagens e desvantagens, neste caso a principal vantagem é a praticidade de uso. Com a posse da recomendação médica, você encontra o medicamento em qualquer lugar, bem como a dosagem pode ser facilmente regulada, contribuindo para manutenção do tratamento.

Agora temos algumas desvantagens. Apenas 20% dos pacientes ficam totalmente livre dos sintomas de TOC usando apenas o tratamento medicamentoso.

Os efeitos colaterais costumam ser incômodos, provocando inconvenientes que fazem algumas pessoas a abandonarem o tratamento. Estes podem ser: náuseas, dor abdominal, sonolência, eventualmente insônia, inquietude, dor de cabeça e, sobretudo, disfunção sexual, vertigens, ganho de peso entre outros, variando por medicação usada.

Mas de todos os inconvenientes, talvez o pior seja as recaídas, quase 90% após a pausa de remédio,  acabam tendo recaídas nos quatro primeiro meses de interrupção.

Claro, apesar dos efeitos colaterais a medicação ajuda e muito, mas deve ser associada a Terapia Cognitivo-Comportamental, para obter um resultado satisfatório e duradouro.

Tratamento com Terapia Cognitivo-Comportamental

A realização do tratamento de Pacientes com TOC, a partir da técnica Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), vem sendo considerada uma das formas mais eficientes de tratamento para a psicopatologia, visto que 70% dos pacientes apresentam uma redução significativa e 30% deles eliminam por completo os comportamentos exagerados e seus pensamentos obsessivos.

Em resumo a técnica se baseia em descobrir quais são medos, angústias, receios e crenças prejudiciais do paciente, após isso, visa construir estratégias de exposição ativa do paciente a situação, de modo que o faça aprender a lidar com aquele incômodo, além de trabalhar na reeducação de crenças, ensinando o paciente a questionar a realidade, veracidade e intensidade de seus pensamentos e ações.

Ilustração de mão com sombra de monstro simbolizando falso medo.
A terapia Cognitivo-Comportamental, visa ensinar o paciente a rever sua perspectiva da realidade.

Dessa forma o paciente ao se confrontar com pensamentos obsessivos, terá ferramentas para questionar e validar suas ações impulsivas, bem como controlar a ansiedade de realizar ações irracionais.

Esse tipo de terapia de exposição ativa é conhecida como, Exposição e Prevenção de Resposta (EPR), e claro devido a sua efetividade diversas vezes comprovado, a mesma é usada até hoje no tratamento de quem tem TOC.

Como é realizado a terapia de Exposição e Prevenção de Resposta

Essa terapia consiste na identificação do que o paciente tem medo, angústia ou evita fazer, dessa forma o profissional de saúde mental, ajuda o paciente e enfrentar ativamente essas situações, tornando gradualmente menos difícil controlar a ansiedade, medo ou crença gerada pela ação ou comportamento.

De outro ponto, uma vez que o paciente realiza rituais nocivos, a ideia é ensiná-lo com estratégias para evitar e a resistir fazer aquela determinada ação.

A intensidade, duração e tipo de exercício vão variar com cada caso e intensidade do TOC, mas, em geral, o início é sempre pelos mais fáceis e gradualmente progredindo para os mais difíceis.

Vejamos alguns exemplos: se a pessoa tem mania de verificar a porta da geladeira toda hora, será recomendado que não o faça, caso o mesmo sinta a necessidade de lavar as mãos excessivas vezes ou tomar banho de horas, será recomendado que controle as repetições.

Para que a técnica funcione, é fundamental o comprometimento do paciente e claro, auxílio familiar.

Como é realizado a Terapia Cognitivo-Comportamental

A terapia Cognitivo-Comportamental surgiu como um complemento da (EPR), visto a dificuldade de pacientes em realizar os exercícios, devido a diversos fatores, como medos que extrapolam seu autocontrole, por exemplo.

Dessa forma a (TCC) surgiu com uma abordagem psíquica, um método educativo, visando trabalhar a visão de mundo e de realidade do paciente, com foco em desenvolver um melhor senso de validação e interpretação de suas crenças.

O profissional tem a função de nortear o paciente a interpretar seus medos, seja eles de contrair doenças, excesso de responsabilidade, hiper valorização do pensamento (chamado de pensamento mágico) , a necessidade de ter as coisas totalmente sob controle e perfeccionismo com medo de se prejudicar ou prejudicar terceiros.

E para isso, o primeiro passo e educar o paciente a entender o que é o TOC, seus efeitos e como ele afeta a vida da pessoa, criando no paciente os primeiros indícios de senso criativo quanto a seus pensamentos e ações.

Seguindo essa linda de pensamento, o psicólogo abordara as crenças do paciente, criando diálogos para juntos validarem a realidade e intensidade, dando ferramentar ao paciente para questionar pensamentos catastróficos e obsessivos.

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