Durante muito tempo, a medicina funcionou dentro de um mesmo padrão: o paciente agenda uma consulta, vai até o consultório e é atendido pelo seu médico. Nos últimos anos, contudo, desde o início da revolução tecnológica, mudanças começaram a alterar os pilares da saúde, entre elas, a telemedicina

Essa tecnologia amplia a oferta de serviços clínicos em situações em que profissionais da saúde e pacientes estão distantes um do outro. Além disso, em caso de dúvidas ou necessidade de uma segunda opinião, o profissional pode pedir ajuda de outro especialista via videoconferência, áudio, telefone ou e-mail — sem obstáculos na comunicação. 

Com o avanço do acesso à internet e a praticidade das tecnologias adjacentes, essa opção tinha tudo para se tornar cada vez mais viável e presente em clínicas e hospitais brasileiros. Alguns obstáculos, todavia, impedem a sua atuação no país.

No post de hoje, elaboramos um guia com tudo que você precisa saber sobre a telemedicina, com destaque para seus benefícios caso seja aplicada algum dia. Continue a leitura e conheça todas as possibilidades e facilidades que essa tecnologia oferece. 

Afinal, o que é a telemedicina?

De origem grega, “tele” significa distância. E é exatamente isso que a telemedicina representa. Trata-se de uma especialidade médica em que os serviços são disponibilizados remotamente, o que é possível com o uso de tecnologias modernas. Dessa maneira, os cuidados com a saúde são facilitados, com assistência médica online para pacientes e auxílio aos profissionais da saúde, clínicas e hospitais de diversos tamanhos e especialidades.

A telemedicina acontece por meio de plataformas online de acesso pelo computador, tablet ou smartphone, o que garante uma elevada velocidade na troca de informações e é um suporte e tanto para a medicina tradicional. Essa ferramenta surgiu devido à evolução do conhecimento científico e aprimoramento de recursos digitais, permitindo que o apoio de profissionais qualificados seja levado a locais distantes de forma eficiente. 

Além disso, a telemedicina também oferece recursos de monitoração de parâmetros fisiológicos, para que desvios sejam detectados o mais rápido possível, antes que doenças se agravem e provoquem danos irreparáveis para o paciente. Contar com essa estratégia, portanto, é sinônimo de grande potencial em melhorias para a assistência à saúde nos mais diversos lugares do mundo, pois agiliza processos e coloca um número maior de pessoas em contato com profissionais capacitados e especialistas.

Ao contrário do que muitas pessoas pensam, a telemedicina não é uma inimiga, muito menos uma substituta da medicina usual. Na verdade, ela representa um grande avanço para área, contribuindo também para aprimorar o seu lado mais humano. 

Como a telemedicina funciona?

O início da telemedicina aconteceu nos anos 50 e, desde aquela época, evoluiu muito. No começo, eram poucos os hospitais que utilizavam televisões para alcançar os pacientes mais remotos. Todavia, com o avanço dos meios de comunicação, o contato entre médico e paciente foi facilitado e essa relação passou a ser cada vez mais próxima com ajuda do telefone fixo, depois com os celulares e, hoje, com a internet. Computadores, tablets e smartphones trouxeram o conceito de videoconferência e ajudam ainda mais na troca de informações, levando conhecimento ao alcance de todos. 

Hoje, a telemedicina faz parte de algo mais amplo, conhecido como saúde digital ou eHealth. Segundo a Healthcare Information and Management Systems Society (HIMSS), esse conceito é o conjunto de tecnologias associadas à internet, com foco em promover melhorias nas condições e processos clínicos do sistema de saúde. Assim, esses recursos otimizam o tempo dos atendimentos clínicos e hospitalares e reduzem custos operacionais, especialmente quanto ao deslocamento dos profissionais e demais despesas logísticas. 

Confira, a seguir, quais são as principais áreas de atuação da telemedicina. 

Telelaudos

A emissão de laudos à distância é uma das principais vantagens da telemedicina. Isso é possível por meio de softwares de saúde que promovem o recebimento de exames, radiografias, tomografias, ressonâncias magnéticas, eletrocardiogramas e ecocardiogramas, para análise e diagnóstico por uma especialista. 

Além da agilidade proporcionada pela emissão de telelaudos, essa ferramenta contribui ainda para a diminuição dos custos com materiais para impressão, como papel e filmes radiográficos, o que é muito benéfico para o orçamento da instituição e também para o meio ambiente, visto que o uso desses materiais poluentes é reduzido. 

Teleconsulta

Permitindo o atendimento médico à distância, a teleconsulta trata-se de diversos tipos de serviço da rotina clínica praticados em um ambiente digital, como triagem, orientação e acompanhamento do paciente. 

Além disso, essas consultas podem ser feitas entre o próprio médico com outros especialistas, seja para contar com uma segunda opinião ou discutir sobre melhores métodos de diagnóstico e tratamento — tudo isso dentro de uma plataforma digital por meio de videoconferências, troca de áudios ou chat. 

Telecirurgia

Na telecirurgia, o procedimento invasivo é realizado por um robô, o qual é manipulado pelo médico de forma remota e é muito importante em caso de cirurgias extremamente específicas com poucos especialistas aptos para realizá-las. Esse profissional pode estar em outro hospital, cidade, estado, região ou até mesmo em outro país.

Todavia, uma das exigências da legislação é que um médico esteja presente durante o procedimento, para que ele dê continuidade quando ocorra alguma intercorrência, como quedas de energia. Ademais, o hospital deve utilizar um software de qualidade, que garanta a segurança dos comandos e informações transmitidas.

Quanto às cirurgias realizadas por meio de videoconferência, a equipe receptora das imagens, áudios e demais dados deve ser formada por médicos.

Telediagnóstico

Com os telelaudos emitidos pelas clínicas de diagnósticos e hospitais, especialistas de qualquer lugar podem avaliar as imagens e dados e definir um diagnóstico. Assim, o paciente é completamente beneficiado, visto que o tempo que ele precisa aguardar por um resultado de exame cai e a sua condição de saúde pode ser detectada bem antes, o que aumentam as chances de que o tratamento aplicado seja de sucesso e resulte na sua cura.

Telemonitoramento

A vigilância de parâmetros de saúde de um paciente à distância, o qual pode estar em internação clínica ou domiciliar, é chamada de telemonitoramento. Isso é possível por meio de equipamentos e dispositivos implantáveis ou agregados que medem os sinais vitais do paciente e transmitem esses dados diretamente para o médico responsável.

Assim como na telecirurgia, é preciso que um médico esteja presente no local para a instalação e controle periódico dos respectivos aparelhos, tudo para que eles funcionem de modo adequado. 

Como se dá a aplicação da telemedicina no Brasil?

A tecnologia em saúde começou a marcar presença no Brasil na década de 90, quando a expansão da internet possibilitou a emissão de laudos online, mais especificamente quanto a transmissão de resultados de eletrocardiograma por fax. Esse foi o marco inicial da telemedicina no país.

Em 2002, foi fundado Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde, com o objetivo de discutir mais sobre o tema e aumentar a credibilidade para o setor, com apresentação de tendências mundiais do ramo digital. Desde então, os investimentos e pesquisas na área aumentaram significativamente.

Nos últimos anos, empresas médicas e órgãos regulamentadores tem voltado esforços para promover a disseminação de programas que incentivam a medicina remota. As principais universidades brasileiras, tanto públicas quanto privadas, já dispõem de equipes e núcleos voltados especificamente para o estudo da aplicação da telemedicina. Além disso, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação desenvolveu a Rede Universitária de Telemedicina (RUTE), com centenas de unidades em operação em todo o país.

Resolução da telemedicina no Brasil

Em nível mundial, a telemedicina é regulada pelo órgão norte-americano American Telemedicine Association (ATA). No Brasil, logo no começo, as normas éticas e padrões de atendimento adotados eram aqueles definidos pelas organizações internacionais. A partir de 2002, com a criação do Conselho Brasileiro de Telemedicina e Telessaúde e ampliação dos serviços oferecidos, foram estabelecidas normas e resoluções nacionais para orientar esse tipo de trabalho, que é regido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). 

A Lei 1.643 de 2002 do CFM foi a primeira a regular a telemedicina como modalidade médica no país. Segundo essa norma, todas as empresas que prestam o serviço devem contar com um médico responsável técnico e ter registro no Conselho Regional de Medicina. A legislação também indica que toda a infraestrutura tecnológica utilizada pela telemedicina deve ser apropriada e seguir as normas referentes ao armazenamento, manuseio e transmissão de dados, garantindo a confidencialidade, privacidade e sigilo profissional. 

A Resolução RDC/ANVISA n. 302 de 2005, da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), também estabelece normas sobre o armazenamento de imagens e dados dos pacientes, entre elas a guarda de laudos por 5 anos pelas instituições que realizaram os procedimentos. 

A Resolução CFM n. 1.821 de 2007 também reforça que as empresas que prestam serviços de telemedicina tenho meios tecnológicos seguros para arquivar as informações obtidas.

A última legislação publicada pelo CFM sobre as regulamentações da telemedicina foi a resolução nº 2.227/2018, que permite a sua prática dentro do território nacional. No dia 23 fevereiro de 2019, contudo, os conselheiros do Conselho Federal de Medicina decidiram revogá-la. Assim, a prática não está em vigor atualmente, o que impede que milhões de pessoas sejam beneficiadas por ela.

Sigilo médico

Um dos pontos mais destacados pelas legislações que regulamentam a telemedicina é a necessidade do sigilo médico. Para assegurar esse quesito, fica estabelecido que todos os atendimentos devem ser gravados e armazenados, com envio de um relatório para o paciente. Além disso, o paciente ou seu representante legal deve concordar sobre a gravação e transmissão de dados e imagens, por meio de autorização expressa — com consentimento informado, livre e esclarecido, por escrito e assinado.

No âmbito do sigilo médico, não podemos deixar de destacar que uma das maiores preocupações com a telemedicina é a segurança dos dados dos pacientes e de todas as operações realizadas. No entanto, essa é uma das maiores vantagens dos sistemas informatizados: os arquivos gerados só podem ser acessados por pessoas autorizadas, por meio de identificação e validação. Isso é possível pois esses softwares apresentam mecanismos de login e senha, o que torna o ambiente 100% seguro. 

Os portais e plataformas de telemedicina arquivam todos os resultados de exames e laudos médicos em um espaço restrito e muito seguro da internet — a nuvem. Assim, os documentos ficam protegidos tanto dos danos decorrentes da ação do tempo quanto do manuseio incorreto e perdas. Aliás, todos eles podem ser acessados a qualquer hora e de qualquer lugar com apenas alguns cliques, o que é um dos maiores benefícios do armazenamento virtual. 

Para as clínicas e hospitais, a possibilidade de fazer o arquivamento digital elimina a necessidade de ter um local físico para guardar papéis, pastas e arquivos. Desse modo, a instituição diminui gastos com impressão de documentos e imagens, além de reduzir custos com a manutenção do local, que pode passar a ser utilizado para outros fins, como um consultório a mais ou até mesmo uma sala de espera mais confortável para os pacientes.

Por fim, não podemos deixar de citar que todos os dados desse sistema são criptografados, o que impede que eles parem nas mãos de pessoas erradas.

Aplicação da tecnologia no país

Programas de referência em Inteligência Artificial e telemedicina estão presentes nos principais hospitais do Brasil, a exemplo do Albert Einstein. Nesta instituição, equipamentos de imagem altamente modernos são capazes de identificar possíveis doenças e encaminhar uma notificação automaticamente para o médico solicitante. 

Outros aparelhos disponíveis fazem a medição dos sinais vitais do paciente e enviam os resultados diretamente para seus prontuários, o que permite aplicação do melhor tratamento o ajuste imediato das doses dos medicamentos, por exemplo.

Quanto ao Sistema Único de Saúde (SUS), o governo já investiu em três supercomputadores que aumentam em até 10 vezes a capacidade de armazenamento de dados para a saúde pública. Além disso, a possibilidade de atendimento à distância beneficiaria diversas famílias, visto que o tamanho continental do nosso país é um dos maiores obstáculos quando o assunto é fornecer assistência médica qualificada para toda a população. 

Observe os seguintes dados: 72% dos médicos especialistas brasileiros estão concentrados nas regiões sul e sudeste. São mais de 150 profissionais que fizeram residência para cada 100 mil habitantes, índice que, na região norte, é três vezes menor. Isso mostra como os recursos da telemedicina são importantes para levar atendimento médico para regiões afastadas e representaria uma verdadeira quebra de barreiras no espaço e no tempo. 

Quais as vantagens da telemedicina?

Ao longo do texto, você já pode observar algumas das principais vantagens da tecnologia aplicada à saúde, as quais beneficiam tanto os profissionais da área médica quanto os pacientes. Nos tópicos a seguir, reunimos quais são as de maior destaque. Descubra mais sobre elas.

Agilidade no atendimento

Devido ao armazenamento virtual, os dados e resultados de exames do paciente ficam disponíveis na web, com acesso de qualquer dispositivo eletrônico, inclusive móveis, como tablets e smartphones. Com isso, o profissional da saúde consegue acessar o conteúdo rapidamente, de qualquer lugar, 24 horas por dia. Ademais, o paciente também pode visualizar seus exames, desde que receba um login e senha para adentrar no sistema. 

Isso é uma vantagem e tanto considerando que, no passado, os laudos eram enviados por correio ou mediante retirada pelo paciente. Na nuvem, os arquivos ficam guardados de maneira organizada e são encontrados com maior facilidade. Dessa forma, o médico não perde tempo procurando as informações que precisa, podendo voltar a sua atenção para oferecer um atendimento mais atencioso e humano para seus pacientes.  

Assim, todos saem ganhando: a equipe clínica, consultório ou hospital, que dispõem de mais tempo para organizar a rotina de atendimentos junto com o especialista, e o paciente, que usufrui de um atendimento mais ágil e de maior qualidade. 

Segurança e integração das informações

Todos os resultados de exames e dados dos pacientes são armazenados na nuvem, de forma muito segura, e podem ser integrados facilmente com outros sistemas, como ao prontuário eletrônico do paciente. Assim, a análise do médico sobre a sua condição de saúde se torna ainda mais eficiente, o que permite a emissão de um diagnóstico preciso e seguro. 

Melhorias no agendamento das consultas

Não tem nada mais chato do que passar um tempão pendurado no telefone para marcar um horário com o médico, não é mesmo? Com o agendamento de consultas online, esse problema ficou para trás. Nestas plataformas e apps, bastam alguns cliques para encontrar e escolher um médico online e, em seguida, ter a agenda livre deste profissional nas suas mãos. Assim, fica bem mais fácil encontrar o dia e hora que você precisa, sem complicações ou estresse.

Facilidade na troca de informações

Na medicina, nenhum profissional trabalho sozinho. Eles estão sempre conectados e trocando dados sobre os seus pacientes, discutindo sobre técnicas modernas e tratamentos mais adequados para cada tipo de condição. Por isso, contar com um sistema que facilita essa comunicação constante é primordial. Na telemedicina, todas as informações podem ser compartilhadas de forma prática, sejam elas documentos escritos, áudios, imagens ou vídeos. 

Acesso facilitado a exames 

Com o desenvolvimento da telemedicina, os exames realizados podem ser laudados à distância. Isso significa que procedimentos simples passam a ser realizados por técnicos de enfermagem ou radiologia do local, com a composição do laudo pelo especialista qualificado na área do teste de qualquer lugar, o que reduz o custo global para a instituição de saúde. Dessa maneira, as empresas mantêm um time completo de especialistas para fazer os atendimentos, sem a necessidade de que eles se desloquem até o local para emitir um laudo.

Auxílio no monitoramento dos pacientes

Os aparelhos altamente modernos que fazem o controle dos parâmetros biológicos e sinais vitais dos pacientes exercem um papel de destaque no caso de doenças crônicas e quadros graves. Enviando os dados diretamente para o prontuário, o telemonitoramento permite que medidas rápidas sejam tomadas pelos médicos assim que avisos são emitidos pelos equipamentos, o que ajuda a evitar complicações e até mesmo o óbito do paciente

Além disso, os familiares e cuidadores também têm acesso a esses dados, o que auxilia na hora de conferir detalhes sobre o tratamento, medicações e outras recomendações médicas, formando um verdadeira equipe de atenção ao paciente. 

Acesso a especialistas e medicina de ponta

Para regiões afastadas, com déficit no número de médicos, principalmente especialistas, a telemedicina quebra barreiras geográficas e populações que antes não tinham acesso aos serviços de saúde são beneficiadas. Sem a necessidade de se deslocar para a capital para fazer consultas, exames específicos e ter acesso à medicina de ponta, essa também é uma comodidade para pessoas com dificuldades de locomoção, como deficientes e idosos. 

Ademais, os custos com transportes deixam de existir, o que faz a diferença no orçamento dessas pessoas e também dos cofres públicos, quando o sistema público é o responsável pelos atendimentos.

A telemedicina chegou para revolucionar a área da saúde. Desde seus primórdios até os dias atuais, com o surgimento das televisões, celulares e o advento da internet, essa tecnologia trouxe benefícios incomparáveis para os profissionais da saúde e pacientes. Seja por meio da emissão de laudos à distância ou na realização de consultas, monitoramento, diagnósticos ou até mesmo cirurgias de forma remota, essa tecnologia leva para as áreas mais distantes o atendimento em saúde a que essa população não tinha acesso anteriormente.

Todavia, é importante ressaltar que o Conselho Federal de Medicina revogou a legislação que regulamentava a prática no pais e, por isso, a prática não está em vigor atualmente. Caso contrário, a telemedicina só iria agregar vantagens, como a agilidade nas consultas, facilidade na troca de informações, monitoramento mais eficiente, acesso a especialistas e a medicina de ponta. E tudo isso sem deixar a segurança de lado.

Mesmo sem poder utilizar os diversos recursos dessa tecnologia, pelo menos você ainda pode contar com a marcação de consultas onlineo que já é uma vantagem e tanto, não é mesmo? Agora, é só esperar que a telemedicina seja regulamentada no Brasil para que o futuro na saúde chegue logo. Quando isso acontecer, todos seremos beneficiados.   

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