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Como é realizado o diagnóstico do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC)?

O diagnóstico do Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é parte fundamental para a retomada da qualidade de vida do paciente, visto que, é comum que este demore cerca de 8 a 10 anos para ser realizado.

Além disso, o diagnóstico de TOC pode ser complexo, muito embora os sintomas de TOC sejam característicos, é comum que o transtorno chegue ao consultório, associado a outra psicopatologia, como ansiedade, depressão e até esquizofrenia.

Outro fator que dificulta o diagnóstico, é a paridade de seus principais sintomas. Pensamentos intrusivos (obsessões) e comportamentos irracionais, também se fazem presentes em outros transtornos. Sendo assim, nesse post, vamos enter como essa diferenciação ocorre e como o profissional de saúde mental lida e diagnóstica o TOC.

O transtorno já afeta pouco mais de 4 milhões de brasileiros, mas acredita-se que este numero tende a ser muito maior, devido ao desconhecimento, vergonha e hesitação na hora de procurar um especialista em TOC. Tornando o diagnóstico tardio, propiciando o avanço da patologia, que atualmente é crônica.

Homem sofrendo transtorno.
O diagnóstico tardio acarreta surgimento de outras psicopatologias.

O grande problema, além da decadência na qualidade de vida, é que segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) o Transtorno Obsessivo Compulsivo, está entre as 10 doenças mais incapacitantes da atualidade, debilitando a pessoa até não poder mais trabalhar, estudar ou manter relacionamentos interpessoais.

No entanto, o tratamento através de medicamentos e psicoterapias, vem revolucionando e retomando os padrões “normais” da vida das pessoas, porem para tal, é fundamental o diagnóstico o quão precoce possível. Por tanto, confira a seguir, como é realizado o diagnóstico e quais as suas alterações para cada caso.

Como é realizado o diagnóstico do transtorno obsessivo compulsivo?

Os Diagnósticos de TOC no Brasil são atualmente regidos pelas normativas da CID-10 e DMS-V, das quais possuem pequenas diferenciações, mas ambos são eficientes em seus parâmetros usados para o diagnóstico do transtorno.

Diagnóstico pelas características CID-10

Na normativa CID-10 (Classificação Internacional das Doenças) não possuímos uma definição minima de tempo gasto com pensamentos e rituais excessivos (mais de 1 hora), mas os sintomas devem estar presentes na maior parte dos dias, por duas semanas ou mais, por exemplo.

A realização de ações compulsivas ou de pensamentos intrusivos (obsessivos), não deve proporcionar prazer a pessoa. A pessoa deve possuir ao menos uma obsessão ou compulsão reconhecida como excessiva e irracional, além disso, o paciente deve ter algum comportamento ou pensamento que não consegue resistir.

Além das características superficiais, no CID-10 é preciso avaliar e validar comportamentos como:

  • Os sintomas originam-se da mente do paciente e não impostas por terceiros ou influências externas;
  • São repetitivas e desagradáveis e pelo menos uma obsessão ou compulsão reconhecida como excessiva e irracional deve estar presente;
  • O paciente tenta resistir a elas, (mas a resistência a obsessões ou compulsões de longa duração pode ser mínima);
  • Pelo menos uma obsessão ou compulsão à qual se resiste sem êxito deve estar presente;
  • A vivência do pensamento obsessivo ou a realização do ato compulsivo não deve proporcionar prazer (isto deve ser diferenciado do alívio temporário de tensão ou ansiedade);
  • As obsessões ou compulsões causam angústia, ou prejudicam o convívio social, ou individual do paciente, usualmente pela perda de tempo.

Diagnóstico TOC DMS-V

Já o diagnóstico seguindo os conceitos da DMS-V, deve-se manter atenção as seguintes características:

Apresentação de obsessões e/ou compulsões, graves o suficiente a ponto de consumirem tempo (mais do que uma hora por
dia
), ou causarem grande sofrimento, ou prejuízo significativo na rotina normal da pessoa, em seus relacionamentos ou em suas atividades acadêmicas, profissionais ou sociais.

Durante a ocorrência da psicopatologia ao menos uma vez, o paciente deve reconhecer as obsessões ou compulsões como excessivas, irracionais ou prejudiciais.

Além disso, sintomas comuns entre os dois métodos, e presentes como a primeira linha de identificação devem ser considerados.

Sendo estes sintomas de TOC mais comuns:

  • Comportamento compulsivo;
  • Atitudes ritualísticas;
  • Movimentos repetitivos;
  • Acumulação;
  • Agitação;
  • Hiperatividade;
  • Impulsividade;
  • Hipervigilância;
  • Isolamento social;
  • Ansiedade;
  • Ataque de pânico;
  • Apreensão;
  • Culpa;
  • Descontentamento;
  • Depressão;
  • Medo;
  • Obsessões sexuais;
  • Narcisismo;
  • Aversão a alimentos e objetos;
  • Pensamentos acelerados;
  • Pesadelos;
  • Discursos desconexos;
  • Ações repetitivas e irracionais.

Em resumo, mesmo seguindo os conceitos, nas métricas normativas para o diagnóstico do TOC o profissional responsável, tendera a realizar avaliações comportamentais. Das quais se baseiam em pensamentos obsessivos ou em ações tidas como desagradáveis e ultrapassem os limites de uma simples mania.

Como, por exemplo, o individuo que acredita que se fizer determinada ação, ele poderá morrer, causar algum desastre ou coisas do gênero, este é chamado por “pensamento mágico”, onde o paciente acredita que suas ações tendem a mudar o curso dos acontecimentos, sendo este um padrão muito comum em pacientes com TOC.

Temos também, o caso clássico da pessoa com medo de se contaminar com alguma doença, que para evitar isso, acaba por lavar as mãos excessivas vezes, limpar a casa ou tomar banhos longos de forma disfuncional.

Estas avaliações, permitem a aplicação de uma técnica chamada de “diagnóstico diferencial de TOC” e tem por objetivo determinar a presença de outras psicopatologias, além do TOC.

Quem faz o diagnóstico de TOC?

Os especialistas mais recomendados para o diagnóstico e tratamento do TOC são os Psiquiatras e os Psicólogos, atuando com a abordagem da Terapia Cognitivo-Comportamento (TCC).

Ambos podem ser procurados separadamente, mas o recomendado é optar pela união destes profissionais, pois a técnica de um complementa a do outro, aumentando a capacidade de reestruturação de qualidade de vida e bem-estar do paciente.

Após o diagnóstico, como é o tratamento?

Uma vez confirmado o diagnóstico do Transtorno Obsessivo Compulsivo, existem duas linhas de tratamentos mais comuns e eficientes. Estas se apresentam por meio da psicofarmacologia, isto é, através da ingestão de medicamentos antidepressivos, pois possuem propriedades inibidoras da recaptação de serotonina, amenizando os efeitos da ansiedade e repelindo pensamentos obsessivos.

E também através da psicoterapia, utilizando a intervenção da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que atua através do reconhecimento dos sintomas apresentados pelo paciente, em seguida cria estratégias de exposição ativa, para que o individuo aprenda a lindar com a ansiedade, medo ou angústia. Outro ponto importante da TCC é a sua atuação de reeducação, atuando diretamente na forma que a pessoa enxerga a vida, bem como sugerindo ferramentas de validação para trabalhar os pensamentos obsessivos, exagerados e catastróficos.

Ilustração tratamento TOC.
O TOC pode ser tratado com medicamentos e psicoterapia.

É importante dizer que até o momento, não existe uma cura definitiva para o transtorno, mas o tratamento de TOC tem a função de amenizar os sintomas do paciente, além de proporcionar um melhor controle e em alguns casos diminuindo a quase zero os efeitos gerados pela patologia.

Sendo assim, o acompanhamento profissional, devera ocorrer durante toda a vida do paciente, evitando assim, recaídas ou o avanço do transtorno, provocando o surgimento ou agravamento de outras psicopatologias que acompanham o transtorno.

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