Existem circunstâncias e situações que nos geram dúvidas e apreensão, muitas vezes causadas pela nossa falta de informação sobre determinado assunto. Esse costuma ser o caso das doenças sexualmente transmissíveis, um tema que ainda pode ser considerado tabu por algumas pessoas, mas que merece toda a nossa atenção e cuidado.

Existem muitas infecções que podem ser incluídas no rol das DSTs e que têm as suas próprias características, sintomas, evoluções e peculiaridades, o que faz a detecção precoce e a procura por um médico serem ações imprescindíveis.

Continue a leitura deste artigo e aumente os seus conhecimentos!

1. O que são as doenças sexualmente transmissíveis e como ocorrem?

As doenças sexualmente transmissíveis, também chamadas pela sigla DSTs, são aquelas que podem ser contraídas via sexual, por meio da troca de fluidos corporais e genitais. Isso ocorre quando não há a utilização de preservativos (camisinha) e um dos parceiros encontra-se infectado, podendo passar a infecção para o outro.

Uma DST pode ser de origem viral, bacteriana ou de parasitas e, dependendo do caso, pode gerar complicações importantes. São consideradas um grave problema de saúde pública em todo o mundo e, por isso mesmo, não é raro que os governos ou, mesmo, a iniciativa privada financie campanhas de conscientização.

Enquanto algumas doenças sexualmente transmissíveis são de fácil tratamento e têm uma rápida resolução, outras podem ter tratamentos complexos ou, ainda, não ter cura, como no caso da AIDS. Além disso, podem ter uma sintomatologia parecida, o que reforça a importância de, em caso de qualquer sinal, marcar uma consulta com seu médico.

Todo mundo que pratica sexo sem proteção deve ter atenção. As mulheres, sobretudo, devem ser bastante cuidadosas, visto que muitos sintomas das DSTs podem ser confundidos com reações orgânicas comuns do organismo feminino. Além disso, no caso de gestantes, a mãe pode transmitir algumas DSTs para o bebê, o que pode ser grave.

2. Que doenças sexualmente transmissíveis são comuns e quais os seus sintomas?

Agora que você já aprendeu o que são as doenças sexualmente transmissíveis e como elas podem ocorrer, vamos explicar melhor sobre algumas das mais frequentes em nosso país e os seus principais sintomas, de forma que você consiga identificar o seu surgimento. Veja abaixo como fazer isso.

Gonorreia

A gonorreia é, sem sombra de dúvidas, uma das DSTs mais frequentes e boa parte da população já ouviu falar sobre esse tipo de infecção. Ela é causada por uma bactéria conhecida como gonococo e, quando não tratada de forma adequada, pode aumentar o risco de outras infecções, como o HIV.

O sintoma mais clássico é a presença de uma secreção amarelada durante a micção e também a sensação de queimação e dor ao urinar. Embora existam cepas resistentes e que dificultem o tratamento, boa parte dos casos é resolvido com a utilização de antibióticos, como a Azitromicina, Ceftriaxone e Doxiciclina, por exemplo.

HPV

O HPV ataca com mais intensidade as mulheres e reforça a importância de que o público feminino saiba como escolher um ginecologista online ou presencial. Enquanto, nos homens, ele pode ser assintomático, no público feminino, o HPV pode causar várias verrugas e pequenas áreas de inchaço na região genital.

Existe vacina para combater o problema e ela está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde). Não há cura para o vírus e as lesões podem sumir sozinhas, mas, se houver necessidade de tratamento, ele costuma ser um pouco trabalhoso, demandando a aplicação de pomadas, crioterapia, cauterização ou, até, uma pequena cirurgia.

Herpes genital

O herpes genital é outra das doenças sexualmente transmissíveis que vemos com frequência no Brasil e no mundo, sendo bastante conhecida por boa parte da população. Os sintomas costumam ser bastante claros, com lesões e pequenas saliências vermelhas na região genital, que causam coceira e uma dor muito intensa.

Embora a transmissão seja muito maior quando existem feridas visíveis, também é possível passar a doença em fases assintomáticas. Não existe, ainda, cura definitiva, e o quadro pode recidivar em caso de baixa imunidade. O tratamento atual é feito quando ocorre a manifestação do vírus, com medicamentos como o aciclovir.

Sífilis

A sífilis é uma DST ocasionada por uma bactéria chamada Treponema pallidum e é uma DST muito conhecida em todo o mundo. No entanto, felizmente, ao contrário de outras doenças do tipo, temos um tratamento disponível que leva à cura completa do quadro, reforçando a importância do diagnóstico médico.

Ela se manifesta, no início, por uma lesão única na região genital, que não provoca dor e, eventualmente, pode desaparecer de maneira espontânea. No entanto, isso não quer dizer que a pessoa esteja curada: o microrganismo permanece no sangue e, depois de um tempo, pode evoluir para formas mais graves da doença, atingindo até a parte neurológica.

AIDS

Infelizmente, não dá para falar das doenças sexualmente transmissíveis sem falar da AIDS, visto que o vírus HIV, que causa o problema, foi um divisor de águas nas campanhas de prevenção e, até, na forma como as pessoas encaram suas relações sexuais. É um microrganismo traiçoeiro, que destrói as nossas células de defesa.

Os sintomas iniciais são similares aos de uma gripe, mas o problema pode levar meses ou, mesmo, anos sem nenhuma manifestação. Embora fosse letal há algumas décadas, os medicamentos foram evoluindo e, mesmo sem cura total, é possível levar uma vida praticamente normal, usando uma combinação de antivirais.

Cancro mole

O cancro mole não é tão conhecido por boa parte da população, mas também merece figurar na lista de as doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em função da sua elevada incidência no Brasil. É uma DST causada por uma bactéria chamada Haemophilus ducreyi, que está mais presente em países de regiões tropicais.

Como o próprio nome já diz, o quadro é caracterizado pelo surgimento de múltiplas feridas amolecidas na área genital, que podem ser dolorosas e costumam ter também a presença de pus e cheiro desagradável. Também podem aparecer ínguas dolorosas na virilha, e o tratamento é feito à base de antibióticos.

Clamídia

A clamídia é outra DST muito conhecida e apresenta sintomas bastante variáveis, podendo, até mesmo, passar despercebida. Em homens, pode causar dor ao urinar e na parte baixa do abdome, além de corrimento uretral. O corrimento, aliás, é um dos sintomas mais comuns nas mulheres, além da presença de dor durante o ato sexual.

O agente causador é a bactéria Chlamydia trachomatis. Exatamente por ser uma infecção assintomática, em potencial, muitos especialistas acreditam que boa parte dos casos acaba por não ser relatada. A recuperação não é demorada, não costumando ultrapassar uma semana, e o tratamento inclui antibióticos.

Hepatites virais

As hepatites virais estão entre as mais perigosas doenças sexualmente transmissíveis e podem ser avaliadas e tratadas por diversas especialidades médicas, sobretudo o hepatologista. Elas são causadas por vírus, que provocam uma inflamação do fígado e que, dependendo do tipo e do caso, podem evoluir de maneira bastante preocupante.

No início, na maioria dos casos, pode não haver sintomas perceptíveis. No entanto, quando eles se manifestam, a doença pode já estar avançada. O quadro inclui febre, dores abdominais, fraqueza, náuseas e icterícia (olhos e pele amarelados). É um grave problema de saúde pública, e o tratamento pode incluir medicamentos antivirais.

Candidíase

A candidíase pode não ser considerada como uma doença sexualmente transmissível clássica, uma vez que o fungo causador do problema, que na maioria das vezes é o Candida albicans, está presente naturalmente em nosso organismo. No entanto, a infecção pode ser transmitida de parceiro para parceiro, em relação sexual desprotegida.

Nas mulheres, o quadro costuma ser mais incômodo, como sintomas como corrimento esbranquiçado, irritação local e muita coceira. Geralmente ocorre quando estamos com a imunidade em baixa, no uso de pílula como um dos métodos contraceptivos ou duchas vaginais em excesso. O tratamento costuma ser simples e rápido, com um antifúngico.

3. Como podemos evitar as DSTs?

Você já aprendeu quais são as doenças sexualmente transmissíveis e como são os seus principais sintomas, ficando mais familiarizado com a maneira pela qual essas infecções interagem com o organismo humano. Para ainda mais esclarecimentos, vamos dar algumas dicas de como evitar as DSTs. Confira.

Utilize preservativos sempre

Não importa se você está em uma consulta online, presencial ou, mesmo, em uma conversa espontânea com o seu médico: qualquer profissional de saúde que se preze recomendará o uso de preservativos como a forma mais eficaz e estudada de evitar as DSTs. Por mais que muitas pessoas não gostem de sua utilização, eles seguem essenciais.

A boa e velha camisinha elimina a chance de muitas das principais doenças sexuais, como AIDS e gonorreia. No entanto, é preciso estar atento ao fato de algumas delas serem transmitidas pelo contato com as lesões e nem sempre elas são totalmente cobertas pelo preservativo. Por isso, é crucial que os parceiros façam exames regularmente.

Aposte no poder da vacinação

Você sabia sobre DSTs que podem ser evitadas por meio da aplicação de uma vacina? Pois esse é justamente o caso do HPV, que tem cobertura vacinal prevista pelo governo e na iniciativa privada. Muitas campanhas vêm sendo feitas sobre o tema e, hoje em dia, boa parte das pessoas já está consciente dessa possibilidade.

Pelo Sistema Único de Saúde, a vacina deve ser administrada em meninas na faixa dos 9 aos 14 anos. Mais recentemente, a cobertura foi estendida também para os meninos entre 11 e 14 anos. Portadores de HIV e transplantados também podem se vacinar, apostando na prevenção do surgimento dessas tão incômodas lesões.

Reduza o número de parceiros

Muitas pessoas encaram isso como forma de controle ou imposição religiosa. No entanto, o fato é que, pela lógica, limitar o número de parceiros diminui a possibilidade de contrair alguma doença sexualmente transmissível. É um dado matemático, que deve influenciar a escolha consciente de cada pessoa.

Entretanto, vale lembrar que, em linhas gerais, basta um único contato com alguém contaminado para que você tenha chance de contrair a infecção. Por isso mesmo, não dá para deixar de apostar tanto no uso dos preservativos quanto na realização de exames periódicos, por ambas as partes.

4. Quais as diferenças entre DSTs masculinas e femininas?

As doenças sexualmente transmissíveis que atingem homens e mulheres são absolutamente as mesmas. No entanto, o que pode mudar é a maneira pela qual elas se manifestam, no sentido de que se adaptam e interagem de formas distintas, em consonância com as características e possibilidades dos organismos masculinos e femininos.

O órgão sexual da mulher, por exemplo, já a torna mais suscetível a uma série de DSTs, pois a mucosa vaginal tem epitélio fino e, durante as relações, é bastante comum que haja algum grau de lesão ou fissura. Não é difícil perceber, portanto, que uma lesão escondida tem muito mais facilidade em progredir, não é mesmo?

O público feminino também deve guardar, como falamos acima, uma atenção especial para a possibilidade de contrair o HPV, tendo em vista que, na grande maioria das vezes, as lesões podem se espalhar pelo trato genital e atingir o colo do útero, eventualmente evoluindo para um câncer na região, que é um dos mais comuns no Brasil.

Os homens também podem ter a infecção, mas ela é, quase sempre, mais branda. A pele do pênis é mais grossa e as lesões tendem a ser menores, com menos potencial de se tornarem graves. Como sempre, é essencial se prevenir, e a melhor atitude é usar preservativos e, no caso do HPV, aderir às campanhas vacinais.

5. Como detectar as DSTs?

Como dissemos acima, a realização de exames é uma atitude muito inteligente para quem deseja se proteger das doenças sexualmente transmissíveis, inclusive solicitando que o parceiro também faça essa avaliação. Para deixar tudo mais explicado, vamos mostrar alguns exemplos de como as infecções são detectadas laboratorialmente. Veja.

AIDS

O exame para detecção de AIDS é um dos mais solicitados em todo o mundo, dada a gravidade que a doença pode ter e os benefícios que um diagnóstico precoce, junto ao tratamento adequado, pode proporcionar. Os mais comuns atualmente são teste anti-HIV e o famoso ELISA, sigla para imunoensaio enzimático.

Os testes são bastante avançados e eficazes. Eles verificam a presença de conteúdo genético do HIV no sangue (RNA viral) e podem ser feitos a partir de um mínimo de três semanas após a relação suspeita, embora o mais recomendável para maior eficiência seja esperar ou repetir em um período de 3 meses.

Sífilis

A sífilis tradicional pode ser facilmente visualizada por um médico quanto ela causa lesão na região genital, pois ela é bem típica e fácil de ser identificada. No entanto, como já dissemos, pode ser que a doença não se manifeste e a pessoa venha, no pior dos cenários, a desenvolver outros problemas, inclusive cardíacos e neurológicos.

Por isso, é preciso apostar no exame de sangue, que vai verificar a presença ou não dos anticorpos que atuam contra a bactéria treponema. É essencial para gestantes, visto que a sífilis pode ser muito prejudicial para os bebês. A coleta deve ser feita entre duas e quatro semanas após a exposição, quando a sorologia se torna positiva.

Hepatites

Solicitar o exame para saber se um paciente está ou não com hepatite é extremamente importante, pois essa é uma doença silenciosa, que pode culminar até na necessidade de um futuro transplante de fígado. Por isso, existem diversas possibilidades, como os testes rápidos para HBV e HCV, disponíveis na rede pública.

Também é possível complementar o diagnóstico avaliando os níveis das chamadas transaminases, que são enzimas hepáticas, como TGO, TGP, fosfatase alcalina, gama GT e bilirrubina. O ideal é solicitar entre trinta e noventa dias após a exposição, quando o problema já vai gerar essas alterações.

Clamídia

Como a clamídia é uma doença que, muitas vezes, sequer apresenta sintomas, não é raro que o seu diagnóstico não seja feito, até pela possibilidade de que ela seja autolimitada. No entanto, isso pode ser interessante em algumas situações, por exemplo, na detecção de cepas resistentes e no caso de mulheres com dor no ato sexual.

Sendo assim, adultos ativos deveriam realizar os testes periodicamente, até porque não são dispendiosos e não dão muito trabalho. Entre os exames mais utilizados para identificar a clamídia estão a sorologia e o PCR na urina, que podem ser solicitados pelo médico alguns dias após a potencial infecção.

Herpes genital

O herpes genital, como vimos anteriormente, costuma ser facilmente identificável no exame físico, visto que as lesões são bastante específicas e provocam dores intensas nos portadores. No entanto, para esclarecer dúvidas ou para ter um diagnóstico mais preciso, o médico pode partir para a realização de alguns exames.

Eles devem ser pedidos alguns dias após a infecção. Os mais comuns, nos dias de hoje, são a cultura de vírus, PCR e o de sangue. O resultado tem a intenção de mostrar se existe ou não a presença dos anticorpos contra esse vírus, esclarecendo se existe ou existiu essa infecção em algum momento.

6. Onde podemos realizar os exames de DSTs?

Você já compreendeu um pouco melhor como são os exames para DSTs no tópico anterior. No entanto, pode ter dúvidas sobre os locais nos quais esses testes são feitos. Uma opção para boa parte da população, especialmente a que apresenta melhores condições financeiras, são os laboratórios particulares, que são muito eficientes, na maioria das vezes.

No entanto, nesse aspecto, o SUS não faz feio. Boa parte dos exames para DSTs estão disponíveis na rede, como o ELISA para AIDS e o VDRL para sífilis. Além disso, temos grande disponibilidade de testes rápidos, que podem ser encontrados em diversas Unidades Básicas de Saúde, como nas Clínicas de Família.

Caso o resultado seja positivo, é possível optar pela realização do tratamento nas esferas públicas ou, então, com um acompanhamento médico de sua escolha. Vale ressaltar que, embora tenhamos medicamentos e procedimentos eficientes, a prevenção por meio do uso de preservativos é sempre a melhor escolha.

7. Quando procurar um médico e qual especialista procurar?

Muitas pessoas não sabem ao certo quando procurar um profissional de saúde e, inclusive, ficam pensando em como tirar dúvidas médicas online, tendo em vista que as teleconsultas estão em alta no momento e podem oferecer bastante praticidade para os pacientes. No entanto, não existe uma regra muito rígida para saber a hora.

O ideal é que você faça consultas regularmente, sobretudo no caso de ter uma vida sexual ativa. Além disso, caso você verifique a presença de algum sintoma diferente, como feridas, dores ao urinar e saída de secreções, não hesite em fazer o seu agendamento, pois não vale a pena correr o risco de deixar o quadro se agravar.

Como sabemos, a faculdade de medicina tem uma formação bastante abrangente e qualquer especialista saberá, ao menos, identificar as infecções sexualmente transmissíveis mais comuns. Porém, o mais recomendado é, no caso dos homens, procurar um urologista, enquanto as mulheres devem ir ao ginecologista.

8. Qual a importância de fazer exames de rotina?

A importância de fazer exames de rotina é tremenda e inclui desde a descoberta do problema para não transmitir para o parceiro até os melhores prognósticos que o diagnóstico precoce proporciona. Sendo assim, a testagem é imprescindível tanto para evitar o agravamento do quadro quanto para reduzir as chances de transmissão.

As sequelas de uma DST não tratada podem ser bastante intensas e causar danos em muitas áreas, sobretudo no sistema reprodutor. Sendo assim, mesmo que você não tenha comportamento de risco e aposte no uso de preservativo, fazer exames solicitados pelo seu médico é sempre uma boa escolha.

9. Conclusão

Agora você já sabe praticamente tudo sobre as doenças sexualmente transmissíveis. Como você viu, evitá-las depende de alguns hábitos e escolhas conscientes, de forma que você e seu parceiro fiquem mais protegidos contra essas temíveis e incômodas infecções. A prevenção é determinante, sem contar as vacinas e demais medidas. Além disso, é fundamental visitar o médico regularmente, agendando uma consulta com periodicidade.

Gostou de aprender um pouco mais sobre as doenças sexualmente transmissíveis mais frequentes? Ficou com alguma dúvida, quer realizar exames ou está apresentando algum sintoma? Então não deixe de agendar a sua consulta e acesse!

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