A doença celíaca é uma doença autoimune que desencadeia um processo inflamatório no intestino quando há a ingestão de glúten — uma proteína presente em alimentos como trigo, cevada e centeio, com os quais são fabricados pães, massas em geral, cervejas e outros produtos.

A intolerância ao glúten pode trazer problemas como a má absorção de nutrientes e também uma grave inflamação no intestino, sendo essencial fazer o diagnóstico em casos de suspeita. Se você ficou interessado em saber mais sobre os sintomas da doença celíaca e outras informações importantes, acompanhe o restante do texto.

O que causa a doença celíaca?

A doença celíaca é definida como uma doença autoimune. Isso significa que o organismo ataca as suas próprias células, destruindo-as e causando prejuízo para o indivíduo. Esse processo é desencadeado pela presença do glúten, que estimula um intenso processo inflamatório. É essa reação exacerbada do organismo que destrói as vilosidades do intestino.

Existem diversos fatores que influenciam na tolerância que o corpo apresenta quando alimentos ricos em glúten são ingeridos, apesar de ainda não existirem informações muito completas a respeito.

Quais são os tipos de doença celíaca?

Existem cerca de quatro tipos de doenças celíacas, cada uma com suas características próprias. Dessa forma, os sintomas apresentados podem ser diferentes, assim como o grau das manifestações, que podem ser leves até graves. Também não podemos deixar de considerar que as pessoas e os organismos reagem de formas diferentes a uma doença. Confira a seguir os tipos de doença celíaca!

Clássica

Geralmente se manifesta de 1 a 24 anos, iniciando principalmente na fase em que a criança está começando a se alimentar de pães, bolachas, bolos, cereais e outros produtos que apresentam glúten. Os sintomas mais comuns são falta de apetite, diarreia crônica, vômitos e desnutrição.

Caso note alguns desses sintomas e eles persistam, é essencial levar a criança ao médico quanto antes para que ela não sofra de uma desnutrição aguda que a leve ao óbito ou que atrapalhe o seu desenvolvimento.

Atípica

Também conhecida como doença celíaca não clássica, ela apresenta sintomas mais brandos ou menos fáceis de identificar. Em geral, os indícios são: perda de peso, anemia que resiste ao medicamento e prisão de ventre. Em adolescentes, geralmente há uma maior dificuldade de crescimento. Já em adultos, pode ocorrer infertilidade, osteoporose antes do período de menopausa, artrite, manchas nos esmaltes dos dentes, alterações no fígado, entre outros.

Silenciosa ou assintomática

Normalmente não apresenta sintomas — e quando apresenta, eles são quase imperceptíveis. Portanto, é bastante difícil de ser identificada. O diagnóstico geralmente ocorre quando há algum parente próximo que sofre de doença celíaca, pois, nesse caso, há aproximadamente 10% de chance de que familiares de primeiro grau também sofram do mesmo problema.

Latente

É quando o paciente diagnosticado apresenta os genes relacionados com a doença celíaca (HLA-DQ2 e HLA-DQ8), mas ainda não teve a enfermidade completamente desenvolvida, apresentando apenas uma inflamação moderada. É como um momento que antecede a doença celíaca — porém o problema pode não se desenvolver futuramente e permanecer nessa fase.

Quais são os principais sintomas da doença celíaca?

Desnutrição

Nos celíacos, comer glúten gera um processo autoimune que destrói as vilosidades intestinais, pequenas protuberâncias responsáveis pela absorção dos nutrientes. Dessa forma, o paciente desenvolve um quadro de má absorção de proteínas, carboidratos, vitaminas e várias outras substâncias fundamentais para a nutrição do organismo.

Anemia

No intestino ocorre a absorção de ferro. Dessa forma, é natural que em pessoas portadoras de doenças que causam a má absorção dos nutrientes ocorra a anemia ferropriva, ou seja, anemia devido a falta de ferro. Isso acontece porque o ferro entra na constituição da hemoglobina, a estrutura responsável por levar oxigênio para os tecidos.

Os sintomas nesse caso incluem fraqueza, cansaço, alterações de pele, diminuição da concentração e da memória, queda de cabelo e unhas enfraquecidas, entre outros.

Diarreia ou prisão de ventre

Como falado, as pessoas com doença celíaca não absorvem corretamente os nutrientes. Alguns sintomas podem surgir decorrentes desse quadro, como a diarreia ou a prisão de ventre. A diarreia é mais comum e normalmente cessa quando a pessoa está em jejum. É comum que as fezes sofram um aumento quantitativo, embora sejam de consistência mole.

O odor fétido é outra característica que pode ser encontrada devido ao excesso de gordura não absorvida no intestino. Isso também torna as fezes flutuantes e mais difíceis de serem eliminadas quando a descarga é acionada. A prisão de ventre pode ocorrer, primeiramente, pelo excesso de fibras no bolo fecal. Além disso, esse sintoma pode ser decorrente de um metabolismo mais lento, o que ocorre devido a falta de energia pela não absorção dos nutrientes.

Desconforto abdominal

O desconforto abdominal é um sintoma que está relacionado a diarreia ou a prisão de ventre, podendo evoluir para dor. Normalmente é acompanhado de flatulência intensa e distensão do abdômen.

Alterações no desenvolvimento

Os nutrientes são fundamentais no processo de desenvolvimento da criança, tanto fisicamente quanto mentalmente. Dessa forma, pequenos com má absorção de nutrientes podem crescer em velocidade anormal para a sua idade, apresentar atrasos, parecerem apáticos e outros.

Existem fatores de risco?

Acredita-se que um dos principais fatores de risco seja a história de doença autoimune do próprio paciente ou em sua família. Isso porque essas pessoas já têm uma tendência a processos inflamatórios exacerbados, o que pode desencadear a doença celíaca.

Nesse caso, pode-se citar a artrite reumatoide, o LES (lúpus eritematoso sistêmico), doença tireoidiana autoimune, diabetes tipo 1 e outros. Dessa forma, pacientes que têm história de doença celíaca na família também estão mais propensos a desenvolvê-la.

Nas crianças, é possível que a introdução precoce a alimentos com glúten seja um importante fator de risco para que o corpo venha a rejeitá-los. Além disso, a amamentação durante o período certo parece diminuir as intolerâncias a alimentos com glúten e lactose. Existe também um importante fator genético, visto que existem genes que aumentam a predisposição para desenvolver a doença celíaca do tipo latente.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico mais confiável para doença celíaca é a biópsia do intestino delgado, na qual são analisadas as vilosidades do intestino para saber se estão atrofiadas. Para realizar esse exame, é necessário ter ingerido glúten recentemente, visto que os sintomas cessam quando essa proteína é cortada da alimentação.

No entanto, a biópsia geralmente só é indicada após realizar outros testes mais simples, que indicam que a pessoa pode estar com a doença ou em casos de familiares celíacos. São alguns dos testes:

Exame de sangue

O exame de sangue serve para detectar genes relacionados à doença celíaca ou para identificar a quantidade de anticorpos também relacionados ao problema.

Exame de fezes

Uma presença grande de gordura nas fezes pode ser um indício de má absorção de nutrientes. Isso, por sua vez, pode indicar a intolerância ao glúten.

Dieta de exclusão

Um clínico geral ou nutricionista pode orientar que o paciente exclua o glúten da dieta por determinado período para avaliar se os sintomas continuam ou param. Ao passar por esses testes, o médico deve avaliar os resultados a fim de indicar ou não a biópsia. Caso o resultado seja negativo, o ideal é continuar a fazer exames para identificar as causas dos sintomas e problemas que foram confundidos com a doença.

Quais são os tratamentos mais eficazes?

Ainda não existe tratamento para a intolerância ao glúten. Infelizmente, a única maneira de evitar os incômodos é retirar e substituir da dieta os alimentos que contêm essa proteína. A boa notícia é que já existem diversos produtos glúten free no mercado. A restrição deve variar de acordo com o nível de intolerância.

Por exemplo, em alguns casos, se o produto tiver traços de trigo, cevada ou outros alimentos que contêm glúten é o suficiente para provocar os sintomas. Por outro lado, outros organismos podem tolerar alimentos com traços de glúten normalmente. No entanto, é essencial respeitar o seu corpo e retirar o glúten da dieta quando houver a intolerância. Ao persistir em consumir esses alimentos, a pessoa fica exposta ao risco de desenvolver problemas de tireoide, pele, rins, infertilidade, câncer de intestino e outros.

Sendo assim, é importante aprender a conviver bem com a doença, mudando a alimentação e levando um estilo de vida mais saudável.

Como evitar a ingestão de glúten?

É impossível descobrir quais alimentos contém glúten ou têm traços dessa proteína sem ler o rótulo da embalagem. Atualmente, é obrigatório que todos os produtos determinem se há ou não glúten em sua composição. Dessa forma, é fundamental ler os rótulos atentamente para evitar o contato. Isso porque alimentos que parecem inofensivos, como o café ou requeijão, podem conter glúten.

Além disso, existem bebidas que têm a proteína em sua constituição, como a cerveja. Bebidas como vinho e o saquê já são completamente livres de glúten. Por fim, pode ser difícil encontrar comidas sem glúten para comer fora de casa. Sendo assim, a pessoa com intolerância a proteína deve se habituar a sempre sair de casa com lanches e refeições.

Se você apresenta algum dos sintomas da doença celíaca, procure um médico para uma consulta e realização de exames. Isso possibilitará o diagnóstico da doença celíaca, e assim, o paciente poderá viver de maneira mais saudável — e sem os incômodos causados pela ingestão do glúten. Lembre-se que a intolerância ao glúten pode evoluir para casos graves.

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