Desde os primórdios, as doenças mentais sempre foram negligenciadas em diversos aspectos, tanto em relação ao diagnóstico quanto ao tratamento. Mas, o problema da saúde mental em tempos de pandemia evidenciou o quanto precisamos mudar o nosso olhar para algo tão sério.  

Mas, a pandemia revelou algo que talvez tenha estado oculto para muitos, pois é mais cômodo ignorar os sinais que se apresentam do que buscar ajuda para realizar um tratamento preventivo e responsável. Vamos falar sobre isso?

Desafios da saúde mental em tempos de pandemia

Por trás da pandemia, há uma epidemia oculta que muitos ainda desprezam. A realidade que não é só o coronavírus que nos assombra, mas, outros males, como os transtornos psicológicos, que estão causando verdadeiros estragos à saúde.

Todos nós passamos, em algum momento deste período, por algum incômodo, frustração, ansiedade, medo etc. Certamente, é comum que nos sintamos mal com tantos desafios que se apresentaram em nossa frente em tão pouco tempo.

São tempos únicos, sem dúvidas. Sabemos que em outros momentos da história da humanidade até existiram pandemias, mas não é uma comparação muito justa em dois aspectos: mobilidade e comunicação.

Hoje é incomparavelmente maior, tanto à velocidade dos nossos transportes quanto dos nossos meios de comunicação. Por isso, a transmissão do vírus pelo mundo foi muito veloz, além das informações que são em tempo real.

Com relação à saúde mental das outras pandemias registradas na história, pouco se sabe, uma vez que no período ainda não existia ou ainda era muito recente o estudo sobre a mente.

A questão é que somos biologicamente programados para reagir com luta ou fuga quando há uma ameaça, além de outras reações biológicas ocasionadas pela liberação de adrenalina e cortisol no organismo. Essas reações também ocasionam um grande malefício para a nossa saúde mental, o estresse.

Nossos inimigos não são mais os animais selvagens, mas o inimigo agora é invisível, não há como fugir e ele pode estar em qualquer lugar, a qualquer momento. E o resultado? A nossa tensão é disparada constantemente. 

O medo e o estresse são grandes vilões para a nossa saúde mental, ocasionando diversos transtornos, principalmente a ansiedade e a depressão, além de outros problemas de saúde que também podem surgir.

A realidade é que ainda não há uma data exata de quando sairá uma vacina ou remédios que possam curar a doença. Só nos resta o distanciamento social como medida preventiva, sendo a medida mais eficaz comprovadamente, porém com efeitos colaterais.

Embora saibamos que o homem é um ser social, aplicar o isolamento é a forma mais importante para prevenir um contágio. Mesmo assim, o isolamento ocasiona efeitos sérios na mente humana.

Afinal, existem soluções eficazes para a manutenção da saúde mental?

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Entendemos os desafios, mas é importante salientar que mesmo sabendo que o distanciamento social é prejudicial à saúde mental, é extremamente essencial mantê-lo, visto que é a única forma de evitar o contágio pelo coronavírus.

É, por isso, que precisamos de soluções eficazes para nos mantermos sãos. Temos algumas dicas para você.

  • Utilize as redes sociais ou apps para interagir – A realidade é que por conta do isolamento, nos tornamos reféns do medo, mesmo arriscando algumas saídas esporádicas, acabamos por encontrar as pessoas com máscaras, sem qualquer possibilidade de ver as reações, contato, convivência etc.

Sendo seres sociais, isso é tudo que não desejamos, pois amamos interagir. Contudo, podemos amenizar um pouco a nossa saudade com alguns aplicativos de videochamada, além de outras formas de comunicação.

  • Modere o tempo para obter informações – Inquestionavelmente as redes sociais também são um pouco vilãs, pois existem muitas pessoas que promovem o pânico, com ou sem intenção, por meio da divulgação de informações falsas, as famosas fake news.

Por isso, tudo deve ser feito de forma moderada, use as redes sociais como forma de matar a saudade das pessoas que ama, além de procurar informações de fontes seguras para ter certeza de sua procedência.

  • Foque no que você pode mudar – Outra questão que abalou a muitos, é a questão econômica, pois as pessoas diminuíram a produtividade, o consumo etc. Enfim, estamos em meio a uma crise sanitária e econômica sem proporções.

Quem gosta de história deve saber um pouco sobre a crise mundial desencadeada pela quebra da bolsa de valores de Nova York, nos Estados Unidos, em 1929.

Vivemos algo muito semelhante, pois muitas empresas quebraram, muitas pessoas que são autônomas e dependiam exclusivamente da força do trabalho foram obrigadas a não trabalhar.

Mesmo assim, os governos de diversos países ignoram o problema, embora se preocupem com a descoberta de uma vacina para o vírus, esquecem que muitas pessoas estão padecendo por conta da ansiedade e da depressão.

A solução para a crise econômica não é algo muito simples de se resolver, mas algumas pessoas se utilizaram da criatividade para obter uma renda e evitar problemas maiores, o brasileiro é campeão nisso.

Devemos pensar no que o filósofo grego Epiteto nos deixou como lição:

“Devemos focar toda a nossa atenção no que podemos mudar!”.

De fato, nem tudo está sob nosso controle, mas focaremos no que é possível fazer.

  • Promova diálogo para resolver a situação – Também é importante mencionar que o distanciamento social nos obrigou e obriga a ficar em casa, trabalhar em casa, realizar atividades domésticas, conviver de forma mais próxima com os filhos, esposa, marido, pais etc.

Com tantas questões individuais, ainda há as questões com o restante das pessoas que convivem diretamente conosco, situação que não é fácil, pois todos estão tensos, ansiosos, com medo e estressados.

O resultado é que muitas pessoas não souberam lidar com essas questões, promovendo o divórcio de muitos casais.

Dois pontos podem ser evidenciados com relação ao convívio familiar: primeiro é que como não saímos, as pessoas não têm eventos para compartilhar, conversar; o segundo ponto, é que observamos as pessoas mais de perto, enxergando defeitos que outrora não eram vistos.

Sem dúvida, são situações difíceis, mas os conflitos familiares também geraram aumento nos casos de violência doméstica, seja com mulheres ou com crianças.

As soluções para os problemas de convívio familiar são duas: a primeira delas é a conversa, é importante que se estabeleça um diálogo a fim de resolver as diferenças; sobre a violência, não tem outra solução a não ser procurar os órgãos competentes e denunciar o agressor.

  • Força para superar as perdas – Para as pessoas que perderam entes queridos, a dor se torna mais insuportável, pois houve a proibição do velamento das vítimas de covid, algo muito doloroso para as pessoas que fazem desse momento uma despedida.

Infelizmente, a solução é buscar consolo e força no que acredita, nas pessoas que ficaram e estão sofrendo também. Além de buscar ajuda profissional se a pessoa estiver realmente muito abalada.

A saúde mental dos mais debilitados

O coronavírus não faz acepção de pessoas, porém, existem aquelas que são mais afetadas. E os indivíduos que compõem o grupo de risco são, provavelmente, os mais afetados em termos de saúde mental.

O grupo de risco envolve principalmente idosos, diabéticos, hipertensos, obesos, portadores de doenças crônicas no coração ou nos pulmões. Eles já possuem inegavelmente uma fragilidade natural por conta dos problemas que existem.

Além disso, acrescentemos a tensão constante do risco maior de ter complicações, caso seja contaminado pelo vírus. Agora, imaginem como está a saúde mental dessas pessoas?

Com certeza não é nada boa, pois já sabemos que a tensão e medo causam estresse e ansiedade. Além de outros problemas, o medo excessivo da morte pode desencadear a síndrome do pânico.

Resumindo, o que se espera é que haja uma avalanche de doenças psiquiátricas nos próximos meses, dentre elas depressão, ansiedade e transtorno do pânico.

Infelizmente, existem outros problemas, porém, muitas pessoas não buscam tratamento por conta de ideias retrógradas de que tratar doenças psiquiátricas é coisa de louco ou que é frescura.

No entanto, enfatizamos que não é nem um e nem outro, as doenças psiquiátricas precisam ser devidamente diagnosticadas e tratadas, exatamente como qualquer outra doença do corpo.

Por isso, é importante o auxílio profissional especializado para que haja um diagnóstico responsável e que o tratamento seja prescrito de acordo com o seu problema.

Como identificar os sintomas que ligam o alerta para doenças psiquiátricas

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Talvez não tenhamos ideia das proporções do alcance dos problemas de saúde mental. Conforme um estudo realizado no ano de 1997 em três capitais (Brasília, São Paulo e Porto alegre), a prevalência ao longo da vida de qualquer transtorno é de 50%.

Este é um indicativo muito alto para uma problemática séria. Além disso, é um indicativo que precisamos levar em consideração para evitarmos as doenças psiquiátricas ou de sabermos que precisamos de ajuda.

Com efeito, existem muitos transtornos psiquiátricos, porém, apresentaremos quais os sinais para identificar a depressão, a ansiedade e o transtorno de pânico.

Os sintomas que serão apresentados são preponderantes para um diagnóstico mais preciso e devem ser feitos por um profissional capacitado. Além do mais, os sintomas apresentados estão de acordo com um estudo publicado sobre Transtornos Mentais Comuns na prática clínica.

Os transtornos depressivos apresentam os seguintes sinais:

  1. Perda de interesse ou prazer;
  2. Humor deprimido;
  3. Perda ou ganho de peso;
  4. Insônia ou excesso de sono;
  5. Agitação ou retardo psicomotor;
  6. Fadiga ou perda de energia;
  7. Sentimento de inutilidade ou culpa;
  8. Indecisão ou falta de concentração;
  9. Pensamentos de morte.

Enfatizamos que um diagnóstico confirmado obedece a alguns critérios, no caso deste, pelo menos cinco desses sinais devem estar presentes por mais de duas semanas.

No entanto, muitas doenças clínicas podem apresentar sintomas psiquiátricos, sendo necessário um primeiro acompanhamento médico clínico para analisar se os sintomas estão aliados a outras doenças.

Comumente as pessoas não procuram logo um profissional da área de saúde mental, geralmente procuram mesmo um médico clínico, exatamente por imaginar que os sintomas das doenças psicológicas estão aliados a um problema físico.

Percebemos que aqui há uma grande responsabilidade por parte do profissional da saúde neste aspecto, pois muitas doenças psiquiátricas têm sintomas semelhantes, mas que são diferentes e exigem tratamentos específicos.

De qualquer forma, é importante esclarecer que os médicos clínicos geralmente são preparados para identificar o problema e direcioná-lo para um médico especialista, se for o caso.

Obviamente que diante de um profissional da saúde mental, este será capaz de identificar e dar um diagnóstico mais preciso sobre quais as doenças psiquiátricas que afligem um determinado paciente.

Os transtornos de ansiedade apresentam sinais de ordem física e de ordem psíquica, são eles:

Ordem física:

  • Palpitação;
  • Angústia;
  • Sudorese;
  • Tontura;
  • Tremores;
  • Parestesias;
  • Falta de ar;
  • Náuseas;
  • Dor torácica;
  • Dor abdominal.

Ordem psíquica:

  • Preocupação excessiva;
  • Antecipação negativa do futuro;
  • “Remoer” pensamentos;
  • Medo excesso de algo ou de alguém;
  • Comportamento evitativo / recluso.

O transtorno do pânico trata-se de uma súbita sensação inesperada de perigo ou destruição iminente, além de outros sintomas. São estes os seus sintomas:

  1. Episódios de pânico repetitivos, inesperados, com comprometimento importante da qualidade de vida;
  1. Agorafobia (ansiedade em estar em lugares de difícil escapatória, levando a um comportamento evitativo);
  1. Obsessão (pensamentos recorrentes, persistentes, desagradáveis e não facilmente suprimíveis);
  1. Compulsão (comportamentos repetitivos com o propósito de neutralizar uma obsessão);
  1. Fobia simples (medo excessivo e persistente pela presença ou antecipação de um objeto de uma situação, podendo levar a uma crise ansiosa);
  1. Fobia social (medo excessivo e persistente de situações sociais em que a pessoa seja exposta a estranhos ou a julgamento, havendo o temor de passar por algo humilhantes, podendo levar a um ataque de pânico);
  1. Transtorno de ansiedade generalizada (preocupação e ansiedade excessiva com diversos aspectos e atividades por um período maior que 6 meses, levando a sintomas como: cansaço, fadiga, irritabilidade, tensão muscular, insônia e dificuldade em se concentrar);
  1. Transtorno obsessivo-compulsivo, transtorno caracterizado por pensamentos obsessivos (geralmente de violência, morte ou sexo), e comportamentos compulsivos neutralizadores (geralmente limpeza ou organização) em que há perda significativa da qualidade de vida.

Agora que você conhece os principais sinais de que a sua saúde mental pode estar comprometida, é importante procurar formas de buscar uma ajuda profissional para fazer o diagnóstico e realizar o tratamento adequado.

Considerações Finais

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Neste artigo, falamos sobre os desafios e as possíveis soluções para se manter a saúde mental em tempos de pandemia, um tema essencial para o período difícil que estamos vivenciando.

Além disso, aprendemos que precisamos ser empáticos com os mais vulneráveis, pois eles realmente precisam de cuidados extremos para evitar uma doença que pode tirar a vida deles a qualquer momento.

Enfatizando ainda a questão da empatia, claramente necessária, pois precisamos evitar comportamentos desumanos, evitar a prática de compartilhar informações falsas etc. O importante é sermos mais humanos do que nunca.

Mostramos também que existem sinais que alertam para possíveis doenças psiquiátricas, portanto, verifique quais os sinais que se prolongam por muito tempo e busque ajuda de profissionais o mais breve possível.

Não menos importante, salientamos que existem os profissionais de saúde mental, tais como, os psiquiatras e os psicólogos, que podem e devem ser procurados em casos de doenças psiquiátricas.

Além disso, acreditamos que muitas pessoas talvez se perguntem: como procurar ajuda em tempos de pandemia? Até porque existem casos especiais que impossibilitam as pessoas de sair de casa.

Bem, temos uma ótima notícia, pois existem outras formas possíveis de atendimento que não são exclusivamente presenciais. Sabemos que o atendimento remoto se tornou em diversos negócios a forma de trabalho vigente.

Não é diferente quando se trata de atendimento remoto para tratamento psicológico. O contato com o profissional será feito por meio de tecnologia de videochamada, assim será possível ter sua sessão sem qualquer problema.

O sistema remoto para este tipo de tratamento é também conhecido como teleconsulta e, o mais importante, é que as teleconsultas estão devidamente regulamentadas pelo Conselho Federal de Psicologia.

Provavelmente você deve estar muito receoso quanto ao atendimento por via remota, mas é importante enfatizar que os profissionais devem estar devidamente cadastrados para realizar este tipo de atendimento.

O foco principal deve ser em realizar uma consulta que possa promover um diagnóstico e tratamento adequados para qualquer paciente, mesmo que esteja impossibilitado de sair de casa.

Assim, realize um acompanhamento especializado com um profissional por meio de teleconsulta, priorizando sempre a manutenção da sua saúde mental em tempos de pandemia.

Afinal, aprendemos muitas coisas neste artigo sobre a saúde mental, entre elas, que precisamos buscar ajuda quando necessitamos, portanto, não se prive disso.

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