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Como você lida com seus próprios preconceitos ou opiniões pessoais na prática clínica? Quero dizer, quando a sua percepção ou seus valores entram em conflito com a postura neutra que a profissão exige, o que orienta sua decisão sobre como intervir?
sexta-feira, 10 de julho às 13:11
Respostas (1)
sexta-feira, 17 de julho às 20:50
Na psicologia, a neutralidade não significa ser uma "tábula rasa" ou alguém sem opiniões, o que seria humanamente impossível. Ela é, na verdade, a capacidade de suspender o juízo para que o espaço terapêutico pertença exclusivamente ao mundo do paciente. O norte da nossa intervenção é sempre o bem-estar e a autonomia do paciente. Se a minha opinião colide com o processo, a ética exige que eu priorize o vínculo e a segurança do outro. Diante de questões técnicas, oriento-me por evidências, sem impor minha visão. Já em questões de valores, se sinto que não consigo manter uma empatia genuína, o caminho mais ético é levar o caso à supervisão ou, se necessário, realizar um encaminhamento. Atender alguém que, internamente, julgamos, é privar o paciente da verdadeira cura através do vínculo. Nossa profissão não exige que sejamos seres humanos sem luz ou sombra, mas que tenhamos a responsabilidade de não projetar nossa sombra sobre o outro. Quando você se permite ser humana, reconhecendo que também tem opiniões, você humaniza a própria terapia. O importante é que a sua curiosidade pelo paciente seja sempre maior do que o seu desejo de ter razão.

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